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Elegância e um currículo diferenciado ainda fazem a língua do amor, mon chéri. Com o fim do ano da França no Brasil, a UP! dá as dicas de como fazer de 2010 o seu ano na terra do vinho, dos museus e das baguetes - Por Aline Vessoni

(1)O necessário charme francês Durante o período de povoamento (europeu) na Terra de Vera Cruz, importante mesmo era parler francês. Imutavelmente se passaram alguns séculos, com os 'dotô' que iam estudar a graduação na Europa, sobretudo na França, e voltavam aptos a ler Les Miserables, de Victor Hugo, recorrendo poucas vezes ao dicionário.

Inclusive, nos tempos de outrora, quando seus pais (ou avós) faziam o ensino fundamental e médio era o francês e o latim que tinham grande visibilidade curricular. Com o passar dos anos, a hegemonia econômica estadunidense passou a ditar as regras de um processo conhecido como Globalização, deixando em segundo plano a hegemonia cultural francesa. Isso significa que a partir dos anos 1970, o ensino do francês deixou o currículo das escolas brasileiras e foi substituído pelo inglês. No entanto, brasileiros mais antenados não deixaram de estudar outros idiomas pelo fato deles não mais constarem no currículo escolar. O mundo globalizado pede uma formação mais ampla, ou seja, quanto mais habilidades e idiomas o profissional tiver no currículo, melhor.

Por uma questão mercadológica o inglês é o idioma mais procurado por quem pretende aprender uma segunda língua. Mas com o aumento da competitividade, inchaço no mercado de trabalho, o aprendizado de idiomas como espanhol, francês, alemão e até o mandarim garantem alguns créditos extras na hora de concorrer a uma vaga. Somente nas Alianças Francesas - tradicional franquia de francês - de todo o Brasil contabilizam-se 40 mil alunos, e esse número chega a aproximadamente 500 mil em todo o mundo.

Mas quando se trata de bela sonoridade, de paixão por um idioma, de fazer as meninas dos olhos brilharem, o francês ainda continua em primeiro lugar. De Brigitte Bardot à Audrey Tautou, de Édith Piaf à Coralie Clement, que atire a primeira pedra aquele que nunca se encantou com a elegância francesa.

Existe uma demanda crescente por cursos de francês, não apenas pela possibilidade de ampliar seus horizontes culturais. Pelo contrário. Um aumento das relações bilaterais de cunho sócio-econômico entre Brasil e França vem ocasionando esse crescimento. De acordo com a diretora geral do Instituto de Estudos Franceses e Europeus de São Paulo (IFESP), Alexandrine Celentano, o francês dá sim 'brilho nos olhos', mas é sobretudo um idioma estratégico para incrementar o currículo. “Agregar o francês ao currículo se torna um diferencial para o brasileiro num mercado ultra-competitivo, pois é o idioma requisitado nos circuitos intelectuais, na diplomacia. Além disso, existem muitas oportunidades de trabalho em empresas francesas que abriram filiais no Brasil, tais como, Leroy-Merlin, Fnac, Accor, etc.”, afirma Alexandrine.

(2) Ensino superior Já pensou em estudar admirando as luzes da Torre Eiffel, só para descansar um pouco a mente? Visitar lugares e castelos dignos de estórias de conto de fadas? Ou desfrutar das praias do mediterrâneo no auge do verão europeu? Se você optar por estudar na França, é possível que tenha o privilégio de conhecer - por ordem de lugares descritos - Paris, Vale do Loire, Nice, entre outras cidades e regiões interessantíssimas.

E quando o assunto é estudo, o país ainda adquire uns pontos a mais na avaliação de quem se prepara para fazer cursos no exterior, pois, de acordo com informações do CampusFrance, 20% do orçamento nacional é investido em educação. A cifra garante excelência de ensino público e de qualidade. O mais atrativo para brasileiro é que as vagas nas instituições de ensino superior são disputadas em pé de igualdade entre franceses e estrangeiros.

Com a intenção de promover o ensino superior, o Ministério da Educação e das Relações Estrangeiras da França criou, em 1998, o CampusFrance (nomeado a princípio como EduFrance).

De acordo com a coordenadora do CampusFrance no Brasil, Carla Ferro, a organização tem como objetivo orientar estrangeiros que queiram estudar na França, sejam eles estudantes de graduação, pós-graduação, curso de idioma, passando a ser uma passagem pré-consular para a emissão de vistos estudantis. “Faz parte de uma política de atratividade do governo francês, e tem o objetivo de favorecer a mobilidade internacional - fluxo de estudantes e pesquisadores de outros países para a França e também da França para o exterior. O CampusFrance informa e orienta sobre o ensino superior francês e acompanha os processos de candidatura, auxiliando os estudantes a construírem projetos sólidos de estudos na França, com as melhores chances de sucesso e de inserção profissional em nível internacional. Hoje existe em mais de 70 países e, no Brasil, tem uma atuação importante na cooperação universitária e científica entre as instituições de ensino superior e pesquisa da França e do Brasil”, afirma Carla.

Não é à toa que nos últimos quatro anos o número de brasileiros que estudaram na França aumentou em 78% e, atualmente, o país administrado por Nicolas Sarkozy recebe por ano cerca de 2 800 estudantes tupiniquins. Além disso, quando o assunto é estudos no exterior, a França é o país que mais recebe bolsistas da Capes: uma em cada quatro bolsas são concedidas a pesquisadores brasileiros que irão desenvolver seus projetos em solo francês.

Um importante centro educacional universitário do país é Grenoble, cidade localizada no sopé dos Alpes e a poucos quilômetros do litoral. Ao todo são sete estabelecimentos públicos de ensino superior, que contemplam diversas áreas do conhecimento, desde arte, tecnologia, até medicina. A cidade universitária promove um intercâmbio que, de certo modo, facilita a inclusão de brasileiros em suas dependências. Em sua quarta edição, o Programme Brèsil – Grenoble, oferece “uma recepção privilegiada a 75 estudantes brasileiros no âmbito das formações de Mestrado, Doutorado e diploma de Engenharia”.

A brasileira formada em Letras (Português/Francês), Claudia Daher, está cursando o segundo ano de mestrado em Ciências da Linguagem, na Universidade Stendhal. Ela afirma que viver em outro país é uma experiência um tanto quanto enriquecedora, permitindo, dessa forma, que se conheça outras maneiras de viver e pensar. E no que diz respeito às praticas educacionais, Brasil e França não estão tão distantes assim: “há vantagens e desvantagens no sistema educacional francês em relação ao sistema brasileiro. Percebo que o que falta no Brasil está mais relacionado à falta de estrutura. Grenoble, por ser uma cidade universitária, recebe centenas de estudantes vindos do exterior ou de outras cidades francesas a cada ano. Para que isso possa acontecer são necessárias diversas residências universitárias, bem como um sistema de transporte eficaz, restaurantes universitários, grandes auditórios e boas bibliotecas à disposição dos estudantes. Por outro lado, posso dizer que as universidades no Brasil estão bem avançadas no que concerne à pesquisa. Sem dúvidas, se um estudante brasileiro tem interesse, ele pode se adaptar e realizar uma parte de seus estudos na França, visto que o nível do conhecimento que lhe será exigido é o mesmo que lhe é exigido também no Brasil”, afirma a mestranda.

(3)Um passo-a-passo para organizar sua viagem
• Escolha a formação que deseja estudar e a instituição. Posteriormente, o estudante deve enviar o dossiê de candidatura para quantas instituições ele considerar necessário. Mas o CampusFrance recomenda que sejam feitas no máximo cinco candidaturas, para que não se perca os prazos dos processos, preparo e envio de documentos.
• Cada universidade francesa estabelece um prazo para as inscrições e envio de documentos, e o nível de proficiência na língua também varia de acordo com a instituição. Existem alguns cursos que são ministrados em inglês e, nesse caso, os diplomas exigidos são outros. TCF, DALF, DELF, TEF são os testes para francês e TOEFL para atestar domínio do inglês.
• A candidatura pode ser individual, entrando em contato com o professor ou departamento francês; pode também ser realizada através do site da CampusFrance ou, se você ainda estiver cursando a faculdade, procure saber se a universidade brasileira em que você estuda tem parceria com alguma francesa, pois um intercâmbio durante a graduação abre portas para a pós.

(4)E se aceitarem meu dossiê?

Ter o dossiê de candidatura aceito não é necessariamente a parte mais difícil. É apenas a primeira delas, porque depois é preciso arranjar um quarto para dormir, um restaurante onde comer, e talvez até um lugar para trabalhar.

Além das opções tradicionais de alugar um studio, viver em alojamentos universitários, alugar quarto em casa de família, dividir o aluguel com amigos, a França oferece opções diferenciadas. Em Paris, por exemplo, existe a Cité Universitaire um local de convivência criado para estudantes estrangeiros que moram na cidade. Maison do Brasil (Maison du Brésil), Estados Unidos, Marrocos etc. recebem currículos e acomodam viajantes na medida do possível. Dentro da Cité é possível encontrar lugares para descansar, praticar exercícios e se divertir em atividades e festas culturais. De acordo com Alexandrine, brasileiro é mais facilmente aceito na Maison brasileira, mas é possível enviar pedido de moradia para outras 'casas' da Cité, ou ainda intercambiar com moradores de outra Maison, um benefício grande quando o assunto é aprender bem o idioma e se relacionar com gente do mundo todo. Ela ainda pontua que participar de eventos na Maison do Brasil é uma forma de angariar contatos, fazer amigos e descobrir lugares bacanas para se hospedar, pois “onde tem brasileiro, com certeza tem francês também. Os franceses adoram brasileiros”, pontua Alexandrine. Os quartos não são gratuitos, mas os aluguéis na Cité, em geral, são mais baratos que os preços praticados na caríssima Cidade Luz.

Para mais informações, consulte o site, e A brasileira formada em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo, Michele Ramos, sabe bem o sufoco que é encontrar um lugar para morar em Paris. A estudante, que durante a graduação já havia participado de um intercâmbio realizado entre a USP e a Sciences Po (Paris), e, atualmente está cursando o Master Professionnel (que pela carga horária equivaleria a uma especialização no Brasil), na mesma instituição, afirma que um orçamento mínimo para se viver em Paris gira em torno de 800 a 1000 euros. “No caso de Paris, o custo de vida representa uma questão sensível... Ainda que o governo tenha realmente uma política de benefícios estudantis bastante intensa, morar aqui implica em um custo bastante elevado e a questão imobiliária parisiense pode tornar a busca por uma moradia bastante desgastante”, explica.

Nada que desestimule a peregrinação, pois se Paris não agrada quando o assunto é encontrar apartamentos compatíveis com o orçamento de um estudante, ela agrada e muito no quesito educação e vida cultural. Pelo menos, é o que Michele deixa bem explícito: “Minha escolha foi organizada e amadurecida durante um bom tempo, o que me possibilitou consolidar bastante o meu projeto de estudos e não perder nenhum prazo de candidatura. Estudar em outro país, mais do que o enriquecimento acadêmico, nos dá a oportunidade de um grande enriquecimento individual e, em certa medida, coletivo; é uma contínua troca de opiniões, olhares, ideias e compreensões, e que acaba nos ensinando que o diferente talvez não seja assim tão diferente, e que o experimentar a alteridade pode sim ser uma experiência humanamente bastante única”.

Outra opção é o PariSolidaire (Paris Solidária), que é movimentado através de idosos parisienses que disponibilizam quartos de suas casas para jovens estudantes estrangeiros ou do interior da França. Em geral, por um preço bastante baixo, pois a ideia é que o jovem e o idoso não dividam apenas as contas e tarefas do lar, mas sim que estabeleçam uma relação de amizade e confiança.

(5) Média dos gastos mensais (tabela de preços fornecida pelo CampusFrance)
Acomodação – 150 a 800 Euros/mês
Alimentação – 200 a 300 Euros/mês*
Transporte – 60 a 140 Euros/mês**
Universidades – 200 a 800 Euros/ano***
Grandes Écoles – 300 a 6000 Euro/ano

*Os restaurantes universitários funcionam de manhã, tarde e noite, e as refeições custam em média 2,70 euros. **Você pode aproveitar e abandonar carros e/ou transporte público, já que na Europa, de maneira geral, existe o costume de andar de bike. Dessa maneira, é possível economizar e ainda fazer exercícios. ***Existe uma taxa de matrícula anual nas instituições de ensino superior francesas, que assim como os outros itens podem encontrar uma variação enorme. Por isso, pesquise bastante, converse com pessoas que já foram pra lá antes de tomar qualquer decisão. Pode sair mais barato do que você imagina estudar um ano na França.

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