Conhecido como bajulador ou baba-ovo, o puxa-saco pode ser considerado a pior praga do século XXI. Não é nem um pouco difícil encontrar quem é, conhece ou pratica o puxa-saquismo. Eles parecem brotar da sombra de quem tem o poder! De acordo com o professor de História, e exímio curioso sobre as expressões da língua, Mário de Melo, o termo “puxa-saco” teria surgido nos quartéis militares. Isso porque os soldados eram obrigados a carregar alimentos e roupas em sacos, tanto próprias quanto as de seus superiores hierárquicos. Puxar esses sacos virou sinônimo de submissão, e os “puxa-sacos” passaram a definir todas as pessoas que bajulam aqueles que, em seu campo de visão, estão um passo à frente.
1)O quê é um puxa-saco? Se recorrermos ao “Pai dos Burros”, o puxa-saco é aquele que adula outrem em demasia. Nas escolas, por exemplo, os alunos puxa-sacos possuem maiores chances de ganhar um boletim mais “azul” quando chega o fim do bimestre. A professora de Língua Portuguesa, Carla Roberta Castelo Branco, garante que “um aluno puxa-saco não faz nada por mal, na cabeça dele, ele só está ‘garantindo’ uma notinha boa aqui, outra ali”, comenta. E quando questionada se esse tipo de aluno, no fim das contas, possui alguma “vantagem” em relação aos outros, ela diz que “bajulação é uma coisa completamente diferente de ‘mordomia’, eles não têm nenhum tipo de benefício por elogiar minha blusa nova ou me dar ‘presentinhos’”, alega Carla Roberta com humor. Amparados por uma fidelidade canina e famosos pela grande e admirável capacidade de engolir sapos sem arrotar, o puxa-saco possui algumas características fáceis de identificar. Ele é sempre o primeiro a dar ”bom dia” quando o chefe chega, e, se acaso ele (o chefe) estiver gripado, o puxa-saco passará o dia desejando “saúde”, não importa o número de espirros. Ele também nunca sairá do escritório antes do chefe e quando for encarregado de alguma tarefa, fará o mais rápido possível, sempre tentando mostrar o máximo de sua eficiência. E se, como num passe de mágica, aquela grande ideia que você teve quando passou a noite em claro para resolver o pepino do escritório, parecer ter partido daquele seu colega, sorria!, você está diante de um típico puxa-saco. Encontrar essa categoria de funcionários dentro das empresas nunca será uma tarefa árdua! A existência dos bajuladores de plantão sempre foi comum em qualquer época, pois a história da humanidade está cheia deles. Este tipo de profissional nunca será extinto, por mais que rezemos por isso todas as noites. Chatos ou não, jamais discordam de qualquer opinião glorificada pelo chefe e, tentam mostrar a todo o momento que, por serem autossuficientes, não precisam da equipe para fazer qualquer trabalho.
2) A arte de adular Para uns, o ato de adular é uma arte, um passo a passo que requer muito esforço para que seja realizado com sucesso. Mas, até que ponto pode-se manter uma relação de amizade com alguém influente dentro do ambiente de trabalho, sem ser taxado de puxa-saco pelos colegas? A psicóloga Gislaine Vianna tenta nos explicar: “a primeira coisa que tem que ser feita para construir uma relação saudável com seu chefe é você entender que dentro do seu trabalho ele é seu ‘chefe’... E não seu melhor amigo”, esclarece Gislaine. Ela ainda prossegue comentando sobre as maneiras de se manter uma boa relação sem ficar conhecido como um “babão”: “se você conseguir se relacionar bem com todos da empresa, certamente essa capacidade será notada pelos demais superiores. E isso não tem nada a ver com ‘puxa-saquismo’”. Há uma grande lacuna entre ser puxa-saco e manter uma boa relação com seu chefe. Aproveitar de forma inteligente as oportunidades que aparecem dentro da empresa não tem nada a ver com oportunismo. Saber lidar com as maneiras de demonstrar um bom trabalho tem a ver com habilidade profissional.
3) As matizesz e feitios dos puxa-sacos dentros das empresas – como identificar - Puxa-saco utopista: Este tipo acorda e respira apenas para o crescimento da empresa. Trabalha como um escravo, acredita em elefantinho cor-de-rosa e contribui para que o seu aumento salarial não apareça por muito tempo. -Puxa-saco bic: Aquele que assina qualquer papel só para que o chefe veja que qualquer decisão tem a aprovação dele. -Puxa-saco explícito: Tem um adesivo no carro com a seguinte frase: “I love my boss”. -Puxa-saco iludido: Esse é o mais chato. Age como se fosse dono do negócio e mete o bedelho no trabalho de todos como se isso fizesse parte de sua função. -Puxa-saco inseguro: Lambe até o chão por onde o chefe passa para não deixar transparecer as competências que não tem. -Puxa-saco pilantra: Uma das espécies mais perigosas. Fique atento. Também conhecido como “puxa-tapete”. Se esse tipo concluir que você é um profissional melhor, com alguma chance de ascensão dentro da empresa, ele fará tudo e mais um pouco para que você perca sua credibilidade, quiçá, seu emprego. -Puxa-saco inconsciente: É aquele que despropositalmente bajula a todos, chefes ou não, pois babar-ovo faz parte de sua natureza.
-Puxa-saco quebra-galho: Larga a apresentação natalina de seu filho na escola para simplesmente buscar um cappuccino para seu chefe. -Puxa-saco sem pudor: Utilizam a sedução como arma para subir na empresa e “no” chefe. -Puxa-saco Homer Simpson: Repetem incansavelmente “Oh, boa ideia chefe!”. -Puxa-saco Judas: Vendem a alma por um pouquinho de regalias. -Puxa-saco argentino: Tentam, tentam e tentam mas NUNCA conseguem nada. -Super puxa-saco: super mala que diz “amém” para tudo. -Puxa-saco conformado: Não possui ambição de subir na empresa. Puxa somente um saco para se manter na posição em que se encontra. -Puxa-saco ambicioso: Muda os sacos a serem puxados de acordo com as promoções adquiridas. -Puxa-saco bobo da corte: Todos conhecem suas intenções. É a piada ambulante diária dos funcionários da empresa. -Puxa-saco chulé: Não existe nada mais desagradável, apavorante e terrível do que a presença deste tipo. E por mais que você utilize todos os artifícios existentes, ele nunca desaparece.
4) Purificador de paciência Trabalhar diariamente com um puxa-saco, estudar todas as manhãs com um baba-ovo de professor ou até mesmo possuir um exemplar dessa espécie dentro da família... Realmente não é uma tarefa para qualquer um. Exige muita paciência. Afinal, quem não tem um parente pegajoso? Ele sempre chega na hora do almoço de um domingo, elogiando isso e aquilo, e geralmente “lembra” de pedir um favor no momento da despedida: “Ah, por falar nisso... To precisando te pedir uma coisinha... Coisa pouca, preciso pagar uma conta atrasada e...”, e finalmente você pode dar adeus à quantia que sobrou do salário do mês. Resumindo, o puxa-saquismo é uma preparação para se conseguir alguma coisa.
Nas empresas e nas universidades, para que a convivência não se transforme em martírio, deve-se sempre manter o foco no trabalho e dedicar-se integralmente aos estudos. O caminho é sempre aliar as atitudes com a certeza de que, vez ou outra, precisamos de uma ajuda dos colegas. Um trabalho realmente feito em equipe sempre é melhor. Um profissional inteligente e competente não precisa puxar-saco para ser promovido. Um universitário só precisa de interesse para graduar-se no curso desejado.
É preciso saber separar o joio do trigo. Ser cordial com os colegas de trabalho é algo que não podemos igualar com puxa-saquismo. Uma coisa é saber conviver amigavelmente, outra é ser medíocre, assumindo assim, a posição de incompetente. Todos os seres humanos gostam de receber elogios, no entanto, muitos seres humanos preferem um elogio falso a uma crítica franca. Vale, assim, ressaltar a importância que os chefes possuem nessa história. Grande parte deles também se deixa levar pelas mordomias oferecidas por um bajulador. Possuir um quebra-galhos eterno realmente deve ser excelente! Porém, se você é patrão, cuidado: assim como ele te adula hoje, amanhã ele pode se tornar o puxa-saco de outra pessoa e acabar tomando o seu cargo, chefia.
[ < Voltar ]De estéticas esquizofrênicas, de textos sem pimenta, sossegadinhos, e narrativas loucas, doidas, insanas, marotas como as curvas da garota da página 46. E você passando os olhos no meio dessa patacoada toda, capturando o que parece convidativo ao fosfato que queima forte, rápido, na fagulha dessas sinapses. Por isso, nessa 23, aperte com gosto o gatilho pra sentir a chama arder nas histórias escondidas logo atrás dessas páginas. Na edição da UP! que você tem em mãos, ampla como um almanaque, não basta buscar costuras entre os temas, eles pouco se conectam. Esta, defi nitivamente, é uma edição fragmentada. E assim, toda internamente autônoma e saidinha, traz temas importantes.
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