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17 out 2008 Acabou
 |  Categoria: Atenas, Europa, Grécia, Videos  |  Tags: , , , , ,  | 313 Comentários

Finalmente meus amigos, mais um post, mais um vídeo e algumas explicações para dar. Muitas coisas aconteceram durante esses dias e muito em breve tudo será esclarecido. Por enquanto o que posso adiantar é que nenhum blogueiro passa duas semanas sem postar impunemente, resultado, eis o ultimo vídeo e minha vigem pela Europa chegou ao fim. Quem acompanha o Blog do Marquinhos sabe que a Revista UP da liberdade a seus funcionários para falarem o que quiserem o que significa que em poucos dias vou passar essa história a limpo, a nova edição da Up ta saindo do forno, e quando isso acontecer estarei pronto para dar maiores explicações.

Mas vamos ao que interessa, que por enquanto é esse vídeo, o derradeiro, mais uma super produção de qualidade duvidosa e conteúdo pouco relevante, exceto pelas duas ultimas partes que podem te fazer mudar de opinião sobre a nossa famosa força de segurança nacional e transformar seu cafezinho mais ou menos de cada dia numa verdadeira obra barista. A primeira parte é inútil mesmo, mas se você quiser pode complementar a história com esse vídeo aqui. Ok, também não é super relevante, mas se você ainda está lendo isso aqui é porque você tem tempo, aproveita e confere um dos figuras que eu conheci nessa viagem!


 
De resto meus caros,é aguardar pelas próximas notícias, e eu digo, passem por aqui mais tarde que vai valer a pena! Ou não!

18 set 2008 O Brasileiro mais grego, ou será vice-versa?
 |  Categoria: Europa  |  Tags: , , , , , ,  | 516 Comentários

 

Stefanos, figura interessante que proporcionou minha primeira experiência em Couchsurfing, me hospedando em sua casa como um amigo antigo, o que na verdade não deixo de sentir como se fosse muitas vezes. Como já foi dito, é um típico grego nascido no Brasil, carrega aquele amor que um brasileiro tem pelo país, vive aqui desde seus 11 anos, mas nunca esqueceu a pátria que o pariu. Seu português repleto de licenças poéticas é a perfeita imagem dessa dicotomia, dividido me faz pensar que no fundo deseja que o Brasil seja aqui. Pode ser que vice-versa. Stefanos conhece muito sobre as coisas do novo mundo, é diretor de teatro e ator, muito interessado nas manifestações culturais do novo mundo e como um gringo que se preza, absorveu com entusiasmo aos enlatados tupiniquins, de início, hoje no seu HD, Asía de Águia, Miucha, Rio Negro e Solimões e Céu dividem o mesmo espaço no HD. Nas prateleiras um Guimarães Rosa alterna um Paulo Coelho, embora, depois de um presente meu, ambos tenham sido, temporariamente, substituídos pelo “É preto no branco” de Washington Olivetto e ¹ . O melhor do futebol ele já conhecia desde pequeno.

Mesmo em Salaminas não é raro encontrar referência diretas ao Brasil, em bandeiras do país ou no som que se ouve nos cafés mais descolados. Desembarco em Atenas e um pouco mais de verde e amarelo colore a paisagem, é uma loja especializada em roupas brasileiras, uma roda de capoeira, o meu hostel, por exemplo, exibe uma generosa bandeira do Brasil. Eles realmente gostam das terras daí, sempre que me identifico como brasileiro percebo um certo entusiasmo, geralmente seguida de um “Ronaldeno!” É claro, não por maldade ou ignorância, os primeiros minutos de contato se desenvolvem em torno do futebol brasileiro, seja ele jogado ai ou aqui. Já que gostam tanto do Brasil, por que não importar, além de outras utilidade e costumes cotidianos, jogadores de futebol. Um não, vários! Como uma espécie de sucessor de Rivaldo no cargo de representante da arte, Gilberto Silva é a sensação do momento, estrela de um dos principais times da liga grega liderando a artilharia pesada criada a base de arroz e feijão. Mas é no país vizinho que joga aquele que mora no coração de 9 entre 10 gregos. “Ronaldeno” parece ser intocável, é com larga diferença, a mais popular representação daquele país que eles tanto admiram.

Stefanos, você, profundo conhecedor das artes, inclusive aquela da bola, você, cujo português exuberante, que em minha lembrança jamais se ocupou em pronunciou tal palavra, me responda: quem é esse tal de “Ronaldeno”?

1. Daniel, sei que a bíblia foi um presente seu, mas você reconhece a importância de levar ao mundo palavras tão nobres a corações tão fiéis!

 

02 set 2008 Mas nem um obrigado?

Não fosse pelo pequeno porto de Salaminas, talvez a Grécia hoje falasse persa. Falo do incrível combate naval conhecido como Batalha de Salaminas, ocorrido em 480 A.C., quando Xerxes, o rei persa, após a vitória em Tessália e Termopilas decidiu avançar sobre Atenas. Enquanto os espartanos bloqueavam as tropas persas por terra, coube a Temístocles a missão de barrar a frota marítima que pretendia chegar ao continente através do estreito de Salaminas. No pequeno porto da ilha, do lado oposto do estreito cerca de 200 embarcações esperavam os navios inimigos, que apesar de estarem em maior número, não foram capazes de manobrar com eficácia do reduzido espaço do estreito ao serem surpreendidos pela frota de Temístocles. Enquanto os persas perderam cerca de 200 navios, apenas 40 embarcações gregas foram destruídas, obrigando Xerxes a retornar a Ásia, deixando a guerra nas mãos de Mardónio que seria derrotado em 479 A.C. Quase 2500 anos se passaram e o porto de Salaminas parece, aos menos desavisados, apenas um cemitério de navios.

Sem qualquer restauro, a única referência a importância histórica do local é um pequeno monumento inaugurado apenas em 2006, certamente por pressão da Comunidade Européia, mas cuja existência é ignorada até mesmo pelos moradores. Stefanos, que me apresentou o porto, afirma que eu poderia ser um dos primeiros turistas a visitar o local, o que me pareceu um pouco exagerado, mas ao fazer uma busca na internet por imagens do local, a única coisa que encontrei foram desenhos representando a batalha. Pode ser que eu não seja o primeiro estrangeiro a visitar o porto, mas se algum o fez guardou para si a imagem do esquecimento.

29 ago 2008 A periferia e o paraíso

 

Continuo minha jornada pela história mais remota da humanidade, depois de Istambul desembarco em Atenas, capital da Grécia, com a impressão de que esse vai ser um daqueles trechos memoráveis desta viagem. De fato, não precisaria muito mais que o simples fato de estar neste país que mexe com a imaginação de qualquer viajante, amante da história ou das artes, mas o fato é que aqui também vou passar pela minha primeira experiência em Couchsurfing. Pra tornar a aventura ainda mais proveitosa o meu “host” é um figura chamado Stefanos, grego por experiência, mas brasileiro de nascença e de coração que apesar de deixar as terras tupiniquins aos 11 anos jamais esqueceu a língua pela qual demonstra tanta paixão.

 

Stefanos mora numa casa pequena mais incrivelmente confortável em Salaminas, uma ilha há 15 minutos de Atenas via “ferryboat”, por muitos considerada apenas como um subúrbio da capital, mas descrita, com toda razão, como o paraíso pelo meu anfitrião. Confesso que ao descer da embarcação minha primeira impressão era de estar exatamente na periferia de uma cidade feia. A cena é composta por um porto nada atraente, alguns estabelecimentos comerciais e montanhas ao fundo, que apesar parecerem bonitas não são favorecidas pela imagem em primeiro plano. Stefanos sabia disso e sem aviso me proporciona uma das vistas mais deslumbrantes que meus olhos virgens jamais contemplaram.

- Você é um dos poucos estrangeiros que tiveram o privilégio de estar aqui – comenta com um sorriso sincero.

A grande maioria dos atenienses que já estiveram em Salaminas jamais passou do centro comercial, geralmente vão à ilha a trabalho e mal imaginam que logo atrás daquelas montanhas se escondem praias de águas claras cujas cores minhas lentes jamais seriam capaz de captar. Stefanos prefere assim e que pensem um lugar feio, os atenienses. Não passam de “malakas”, e “malakas” não merecem um lugar como esse!