Escrevendo sempre estou, se não aqui, acolá. Eis que finalmente chega as casas e bancas a Edição #18 da Revista UP! e lá deixei 8 páginas da minha “thai experience”. Entre monges, prostitutas, crianças e fumadores de ópio, um pouco sobre a Thailandia dos “Outros” e dos “Mesmos”. Para um pequena degustação, com o perdão de qualquer possível trocadilho, segue abaixo um pequeno trecho da minha coluna.
“Em Kaoh San tive minha primeira experiência culinária tipicamente tailandesa, ao menos para os outros. Na rua, barracas enfileiradas com sapos e galinhas, currys de fazer chorar um mexicano mimado, desafio entre amigos, na falta de atenção, na curiosidade extrema pelo novo me deixei levar por experiências gastronômicas bizzaras, ao menos ao olhar dos outros. Haviam dito muitas coisas desde Barcelona, quanto era barato comer, quão boa era a cozinha, tentavam mensurar o exotismo sensorial, o absurdo moral. Nada te prepara para a Ásia – diziam os mais respeitados. Na Tailândia tudo se faz nas ruas, inclusive comer, mas as paredes ainda serão necessárias.
Naquela mesma barraca de Kaoh San, pouca atenção me chamava as opções de frutos do mar, especialmente lulas, camarões e outros bichos cujos nomes nunca me ocupei em saber, faziam sucesso, mas meus olhos estavam perplexos com outra coisa. Atrás do fogão da dita barraca, uma garota, já mulher, apressava minha indecisão em relação ao que comer. Rosto branco, construído a base de camadas grossas de pó, um escandaloso, porém leve rosa nas maças do rosto que contrastavam com uma boca enorme, vermelha, apenas escandaloso, como a maioria das mulheres. Na Tailândia, assim como no mundo, há garotas e garotos. Eram muitas as barracas, enfileiradas numa rua cheia de luzes, cores e cheiros. Em cada barraca uma família, algumas mesas e muitos outros. As famílias e suas garotas e garotos, quase todas mulheres, serviam aos outros, como sempre. Os outros curiosos com o garoto, agora mulher, as famílias, quase sempre as mesmas, apenas serviam os outros.”
O resto está na edição impressa da Revista UP! que tem na capa Caetano Veloso, a músico que me faz pensar. Ficou bacana, vale a pena conferir.











