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21 jan 2009 Se o presidente pode, porque eu não?

Parece que a posse de Obama ontem foi emocionante, milhôes de pessoas acompanhavamao vivo o evento por todo o mundo, no Quênia, naturalmente, a movimentação foi especialmente mais intensa acredito.

A tia ali tava realmente empolgada!

A tia ali tava realmente empolgada!

O Jornal Nacional de ontem fez uma reportagem especial sobre as origens quenianas do novo presidente. Não pude assistir, por motivos óbvios, mas tenho quase certeza que alguns detalhes do seu passado em Kogelo passaram em branco. Em minha estada em Nairobi, hospedado na casa dos irmãos Owino, fui aprsentado a uma foto que me chamou muita, eu digo, muita atenção. Na foto dois homens vestindo roupas tipicas da Kenia moderna, sentados a frente de uma casa de barro um deles parecia prestes a acender um cigarrinho suspeito.

Além das reprodções em biografias vendidas no Quênia, eu vi essa foto em papel com meus próprios olhos, e acreditem, o sugeito ali em cima é “o cara” e aquilo ali na mão dele não é um Sportsman ou um Marlboro Light. O Discurso da Liberdade né seu presidente? Sei.

PS.: Na Edição #15 da Revista UP! que ja ta saindo, a minha coluna vem com 6 páginas sobre o presidente Obama e seus iguais quenianos. E se preparem, por que lá tem mais, essa fotinho no blog é só para vocês degustarem, segunda-feira em todas as bancas do Brasil!

06 jan 2009 No meio do caminho tem Malindi

Em Nairobi fiquei sabendo da existência do arquipélago de Lamu. A região é um acervo vivo da cultura Swahili, águas azul turquesa e uma população assustadoras de jegues. Perfeito para alguns dias de vadiagem o paraíso fica a cerca de 500 quilômetros de Nairóbi. Em linha reta. E há menos que você disponha de 370 reais em um vôo de pouco mais de uma hora a opção é descer a mesma distância de ônibus de Nairobi até Mombassa, no Sul do litoral queniano e depois subir mais 200 quilômetros até Malindi, de lá um outro ônibus para Lamu, 300 quilômetros ao norte. Esse 1000 quilômetros são bem distribuídos em pouco mais de 50 reais.

Como os ônibus saem de Malindi com direção a Lamu as 8 horas da manhã, é necessário passar uma noite na pequena cidade. Além de uma praia de areia cinza e água marrom, uma reserva de corais praticamente extinto, e um restaurante italiano respeitável, não há mais o que fazer por lá. Aproveite o seu dia na reserva, por 30 dólares, incluindo a entrada na reserva natural, um barco te leva aos corais para algumas horas de snorkeling. É legal, mas legal mesmo foi o passeio de Tuc-tuc da pensão até a reserva. Tuc-tuc são pequenos taxis, meio carro, meio tri-ciclo, algo muito parecido com aquilo que você vê nas ruas da Índia em documentários da TV. São ótimos para dias quentes e bolso vazio, custam em média 1 dólar pra uma corrida de 10 minutos. Achei tão bacana que fiz um vídeo da corrida, bem resumido, claro, mas da pra sacar qual a do centro da cidade e como é o tuc-tuc, pelo menos por dentro.

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LEGENDA: O melhor meio de transporte em 5000 quilômetros!

05 jan 2009 As férias acabaram, ou estão recomeçando!

Feliz Ano Novo! Feliz Natal. Feliz aniversário pro “big boss” também, eu esqueci na verdade, mas tenho um álibi, o que na verdade também explica o evento cuja maioria dos meus amigos e inimigos também qualificaria como férias. Bom, nada mais lógico para explicar o último post no ano passado. Tá, bem antes disso. Mas na verdade eu não estava de férias, as férias tirei um dia depois do ultimo post, no arquipélago de Lamu no Quênia, cinco dias de vadiagem total levando vida de mendigo rei (tem um ou dois vídeos vindo ai). Mas eis que me dou conta de que em poucos dias estaria embarcando para a Austrália, país que até segunda ordem exige um visto que por sua vez vai lhe tomar tempo, paciência e dinheiro se você estiver no meio do nada e a próxima embaixada habilitada a te prestar tal serviço fica a 3 países de distância e por causa de algo que chamam de festas de fim de ano todos os vôos lotam sem explicação e a única maneira de chegar até seu destino é por terra. As vezes asfalto e ocasionalmente um ou outro rio.

Entre Nampula e Quilemane!

Entre Nampula e Quilemane!

Resumindo: passei as duas ultimas três semanas tentando atravessar a Tanzânia e o Moçambique para chegar a Pretoria, na África do Sul. De Lamu no litoral central do Quênia até Johannesburg, onde me encontro agora foram mais de 5000 km distribuídos desproporcionalmente em um avião, um matatu, dois picapes, quatro ônibus, quatro mini-ônibus, duas balsas, um “speed-boat” e uma canoa passando por 16 capitais, pequenas cidades ou vilas. Coisas como chuveiro, papel higiênico, internet, sinal de celular, tomada, se energia elétrica estiver disponível, comida ocidental, turistas e internet, entre outras coisas. Por outro lado, coca-cola gelada, créditos para o celular que não vai funcionar, cabritos e galinhas vivas e peixes mortos, maconha, telefone publico, comida cujos ingredientes e procedência é melhor não saber, paradas de ônibus infinitas e insetos, entre outras coisas, são tão comuns que, ao final da jornada, ver a “mama” (ou a tia mais cheinha e de certa idade) aliviando na moita ao lado da sua na beira da estrada não é extraordinário o suficiente para desviar seus pensamentos a cerca de sua lembrança de como era um garfo.

Ao final, postar no blog durante essa jornada parecia tão fácil quanto pedir uma pizza. Coisa que consegui fazer, afinal, em Johannesburg. Agora veio o post, e os próximos virão. As histórias da minha estada malemolente em Lamu, as paradas involuntárias em Dar el-Salaam e Mtwara assim como minha noite de Natal em Maputo e minha virada em Johannesburg já estão engatilhadas.  Como hoje é dia 5 e em minutos vou receber um email do meu editor chefe pedindo meu texto pra próxima edição da UP! e essa jornada rendeu boas histórias, principalmente no trecho entre Mtwara no extremo sul da Tanzânia e e a capital Maputo, no extremo sul do Moçambique, decidi fazer da edição #16 um guia prático de como não viajar pela região e se você tiver de fazê-lo, como tirar proveito da situação em favor da sua jornada, a final e felizmente, nem tudo são espinhos. Ao final, tudo estará aqui e na revista. Pra gente não se perder eu vou tentar postar em ordem cronológica, embora, já tendo vivenciado, acabe por relacionar fatos contidos um espaço de três semanas. Feliz 2009 e um bom começo de ano para aqueles que já estão de volta a labuta.

17 dez 2008 Why so crazy?

Vi na TV aqui em Nairobi uma reportagem sobre os “matatus”, como são chamados as vans e mini-ônibus que servem o transporte público no Quênia. “Why the crazyness?” (Porque a loucura?) - perguntava o reporter!  Certamente ele fazia referênica ao acidentes que geralmente ocorrem e do nenhum respeito pelas lei de trânsito, mas falava também do visual e dos acessórios pouco usuais em outros países do mundo, os “matatus” nem de longe são simples vans. Pense num carro tunado: rebaixado, rodas de liga leve, aerofólio, pintura especial, neon, DVD, etc.  Então da uma olhada no vídeo abaixo.

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Já pensou se os ônibus ou as vans da sua área fossem assim! Diga lá, gosta ou não gosta?

10 dez 2008 Karibu!

Salve moçada, já estou no Quênia, e se no Egito a expressão “banda larga” não é das mais populares aqui em Nairobi a palavra é desconhecida pela maioria esmagadora das lan houses. Ontem eu aprendi, conexão rápida aqui é 2 Kbps com o vento a favor, então o post de hoje, ou da semana sendo mais realista é só para colocar o povo a parte da situação. Vamos a ela.

Rua em Kibera, uma das maiores favelas do mundo em Nairobi – Quênia

Rua em Kibera, uma das maiores favelas do mundo em Nairobi – Quênia

Estou hospedado na casa dos irmãos Ohino, Ken e Kenneth, ambos introduzidos por um amigo comum do Couchsurfing (http://www.couchsurfing.com). Do aeroporto direto para a casa deles que fica em Kimbera, uma das áreas mais pobre de Nairobi que é a capital de um país que de rico não tem quase nada. O local é uma das maiores favelas do mundo com cerca de 200 mil pessoas vivendo de maneira precária ao longo da linha de trem que liga a capital a Mombassa no litoral. Devo confessar que não é apenas o fato de ser o único mzungo (homem branco) por aqui que causa certo desconforto. Certamente tenho mais dinheiro na carteira que uma quadra inteira e a coca-cola que estou bebendo enquanto escrevo este post custa mais do que muitos aqui conseguem ganhar em um dia inteiro de trabalho. Apesar do pesares fui muito bem recebido, não só pelos irmãos como pela vizinhança que se mostra curiosa, afinal 99% dos mzungos não aparecem por essas bandas, de um hotel confortável no centro seguem direto para safáris luxuosos pelos parques nacionais, de la para o hotel, do hotel de volta a seus lares em algum país mais desenvolvido. Eu até que gostaria de curtir um safári também, mas embora me sinta rico, meu cartão de crédito diz que fica pra próxima. Veja que não é uma opção, mas acredito que essa minha estadia por aqui vai ser bastante proveitosa, algo que um moleque curitibano mimado da classe média precisa ver pra repensar certos conceitos.

Hoje eu vi na TV aqui uma reportagem sobre os Matatus. O que é isso? Amanhã no próximo post eu conto!