
Sabia que um dia isso poderia acontecer, mesmo com certa decepção em relação a Paris, ainda não tinha conhecido uma cidade que não fosse mais que um caminho entre um lugar e outro. Saindo da bela e estimulante Budapeste, não sem antes dar uma pequena volta em Balaton, desembarco na nada emocionante Cluj Napoca, que ostenta o título de segunda cidade mais importante da Romênia, capital da Transilvânia e a cidade mais antiga do país, na teoria, muito interessante.
Ainda no hostel, e aqui me permito dizer, de passagem, foi uma das melhores coisas da visita a cidade, conheci um casal que preparava suas malas. Perguntei se estavam deixando a cidade e quanto tempo eles tinham ficado. Entre olhares e risos me respondem que tinham chegado na noite anterior e que 12 horas são mais que suficientes para conhecer toda a cidade que consiste basicamente em 5 igrejas e um pequeno morro. Só isso? – pergunto já decepcionado, mas ainda esperançoso, contando com certo exagero dos meus companheiros de quarto – e os castelos, o Drácula, as construções do tempo do opa?
Saindo pelas ruas dá pra entender porque o Drácula já não anda mais por esses lados, o título de cidade mais antiga faz todo sentindo quando surgem edifícios construídos antes dos portugueses desembarcarem em terras brasileiras e restaurados pela ultima vez na época em que a família real de lá comia a nossas bananas, direto do pé. Das cinco igrejas, na verdade contei 4 que mereciam certa atenção, duas eram realmente grandiosas e deviam ser muito bonitas sem tantos tapumes em volta. Ao menos algo está sendo restaurado. Quanto ao morro, passeio obrigatório para revelar que realmente o casal lá do hostel estava exagerando, seis horas são mais que suficiente para conhecer boa parte da cidade, aquela que interessa e a que não também.
Mas é a noite, sempre a noite que tudo se revela… fechado. Com exceção dos cassinos, são dezenas, após as 10 da noite é difícil encontrar um bom lugar para encontrar pessoas, mesmo um balcão sujo de bar não é produto em abundância pelas ruas de Cluj. Volto ao hostel lembrando o casal e o viajado Ricardo Freire da qual tomo a liberdade de emprestar as palavras e adaptá-las ao contexto: o melhor de conhecer Cluj Napoca é que você nunca mais vai precisar voltar!















